19 Novembro 2008

Eu no "cemitério da Barreto"



- Queres comprar também este balde?
- Sim, foi a resposta daquela senhora de idade avançada, mas bem maquiada em visita ao cemitério naquele dia de finados nos distantes anos 60.

Estava eu ali ao lado da porta do “cemitério da Barreto” com meus poucos mais de 17 anos a vender flores plásticas dentro de baldes verdes utilizados provisoriamente como vasos.
Lembro-me perfeitamente do meu esforço desde o inicio daquela manhã cinzenta. A interceptar cada passante com a pergunta: queres flores? Estas são lindas.
Depois de oferecer flores plásticas a centenas de pessoas durante todo o dia acabei com todo o estoque.
A venda foi tão boa que ao entardecer daquele dia além de vender as flores de plásticos também vendi os baldes utilizados como base de apoio, ou seja, vendi tudo.
Meu patrão quando veio me buscar e viu o meu sucesso nas vendas ficou tão contente que me deu além da minha extraordinária comissão de 5% um prêmio de produção...um lindo par de meias pretas de nylon as quais ainda acabei me esquecendo dentro do seu carro quando me levou pra casa. Mas como eu não usava meias pretas de nylon nunca me fizeram falta.

Nós temos uma distribuidora que vende para seus botões, ou seja, não vende quase nada e quando perguntei porque ela não vendia mais ela respondeu que as pessoas não tem dinheiro, que é a crise.
Mas também temos um distribuidor geral que é nosso melhor distribuidor geral do Brasil dos últimos anos, o Rogério.
O Rogério é o grande campeão, o grande papão de troféus e de viagens. Todo o ano ganha com sua esposa a Marineusa, com méritos, viagens em praias paradisíacas ou na selva amazônica nos melhores hotéis.
Perguntei ao Rogério como ele conseguia tão bons resultados em vendas e ele me respondeu, meio contrariado, foi de que oferecia os produtos. Oferecia um produto, em outra oportunidade oferecia outro produto e assim ele vai fazendo suas vendas...Oferecendo.

Sem saber, eu naqueles longínquos anos sessenta estava praticando a regra número 1 das vendas que é...OFERECER.
Nada mudou em vendas neste novo milênio. Nada mudou em vendas nesta nova crise. Depois de 40 anos o básico continua o mesmo.
Se queres ter sucesso nesta atividade, se estas cansado de somente comer, dormir, ir a casa de banho e pagar contas.
Saia desta. Vá para a rua oferecer seu produto. Deixe a vergonha de lado, pois como já disse a Nautilha: “Vergonha não é vender cosméticos. Vergonha é não ter dinheiro no bolso” e eu complemento... E ficar dependente da filha, do filho, do cunhado, do pai ou da mãe de alguns míseros trocados para poder viver, viver não...vegetar.

É muito melhor vender flores na porta do cemitério do que viver de migalhas na praia como os amigos de Fernão Capelo Gaivota.

Paulo Santos
psantos@aromadaterra.com