02 Novembro 2008

Eu, o Pxii,o Celso e os outros




Era uma vez um Cará.
Cará nasceu no seio da tradicional família de carás, a família Geophagus Brasiliensis, ou seja era bem brasileiro.
Quando do nascimento o seu pai o batizou de Pxii uma homenagem a seu netinho Wiquitor.
E desde miúdo seu pai o advertia com as coisas menos boas que coexistiam naquele rio: “quando vires uma coisa muito fácil, pense duas, três vezes antes. Comer por exemplo. Tenha sempre cuidado com o que comes, cuidado... pois anda sempre por ai alguns casos estranhos de desaparecimentos, de peixinhos grandes e pequeninos que por uma estranha força de sucção são puxados para cima para nunca mais se ouvir falar”.

E Pxii cresceu, assim rodeado de cuidados e sempre se dando bem na vida até que num belo domingo de sol ele resolveu acompanhar os seus novos amigos os robalos da família dos Cenetropomíudeos e estes eram da espécie Centropomus undecimalis ou seja era uma gente já experiente nestas lidas de sair por ai a abocanhar os mais pequeninos.

Estava ele na balada no rio junto com o seu novo amigo o Robalobo quando olhou para cima e o que viu deixou-o boquiaberto, estupefato, pois aquilo que ele viu era o que ele queria comer todos os dias, mas como era muito caro somente o comia no Natal ou quando a família comemorava o 25 de Abril ao som de Grândola Vila Morena do José Afonso. Um camarão vivinho da silva ali por cima da sua cabeça a balançar, a mover as perninhas daqui pra lá a espera da namorada, talvez.
- Olha ali em cima Robalobo e veja o que esta a nossa espera, um camarão...um camarão...um camarão....e daqueles tipo “dilaguna”.
Assim que fechou a boca viu o seu amigo Robalobo sair em uma "nadadoria" frenética abocanhando aquele lindo camarão e saindo em flexa pelo rio afora se deliciando com aquele petisco.
- Puxa vida...o meu velho pai diz para eu ficar esperto e de ter muito cuidado antes e agora perdi este camarãozinho rosinha tipo “dilaguna”...na próxima vez vai ser comigo mesmo.
Vou ficar mais atento.
Passou-se mais alguns minutos quando novamente viu outro camarão a pouco mais de meio metro abaixo da linha d’água a balançar-se, a mover as perninhas de uma maneira tão convidativa que o jovem Pxii não pensou nas palavras do seu pai...cuidado com o que comes...cuidado com as coisas fáceis de mais...que nada, camarão “dilaguna” aqui vou eu...ei, ei, o que esta acontecendo... estou sendo puxado para cima por este camarãozinho metido à besta...mas que força ele tem...estou tentando voltar pra trás mas não consigo ele é mais forte do que eu... e esta me levando para cima...para cima...para cima...e agora estou sentido o meu querido beicinho de beijar namoradinhas doendo, ai ta doendo, ui, ui, ui.....e agora o que esta acontecendo?.....quem é este homem sapiens gorduchus que esta me olhando...segurando-me e tirando este ferro da minha boquinha de beijar namoradinhas á noite...estou sentindo falta da minha querida águinha...estou com falta de ar e minha pele esta queimando acho que vou morrer... é chegou o meu fim pois este Homo sapiens gorduchus esta falando:
- Consegui, peguei um lindo cará.

É assim. Antes dos jogos do meu Grêmio escuto Celso Roth e alguns principais jogadores falarem: devemos ter muito cuidado com as jogadas pela direita pois este é o ponto forte do adversário....devemos ter cuidado com as bolas aéreas...teremos que ter muito cuidado com a jogada rápida de contra-ataque...e assim por diante.
E o que acontece....o que acontece é de que depois toma um gol do Figueira logo no inicio do jogo, se desespera para empatar, quase perde o jogo e no final vem àquela conversa de que...agora no próximo jogo temos que corrigir onde falhamos para não...

Agora somos o terceiro e se o meu tricolor não tiver muito cuidado com as coisas aparentemente mais fáceis, ter mais atenção poderá dentro de alguns dias depender de um pescador gordinho o seu destino. Frito, grelhado ou livre, leve e solto! A decisão é antes; não depois.

Atenção Grêmio para não morrer na praia ou fora dela. Numa canoa em Sampa no próximo domingo, sem nada para comemorar.

Paulo Santos
Presidente