16 Junho 2009

Eu, meu butijão, o ladrão e a crise A



- Vou agora, está tudo silencioso. Vou cortar a mangueira e levar este bujão de gás.
- Mas eu já cortei a mangueira e vou puxar...mas não posso roubar o bujão pois ele está preso...preso a uma corrente chumbada no chão... não dá... vou embora... fui.

Esta provavelmente foi a cena e o pensamento daquele ladrãozeco pé-de-chinelo, naquele início dos anos 80, quando tentou levar o meu botijão de gás que estava, por medida de segurança, estrategicamente preso a uma corrente do lado de fora da minha casa, em Cachoeirinha. Desistiu quando se apercebeu que estava chumbado com uma corrente.
No outro dia, depois de dar pelo ocorrido, fui conferir a “fortaleza” da corrente: surpresa... uma puxadinha e bloc..bloc... ela “deschumbou” facilmente. Aquele gajo, além de ladrãozito, ainda era incompetente na sua profissão. Nem ao menos deu uma puxadinha.

Falei na semana passada com uma distribuidora da Aroma da Terra que me disse que não adiantava sair para vender, pois as pessoas não queriam comprar, devido à crise. Ela iria esperar as coisas melhorarem para poder sair para vender porque agora “não valia a pena esforçar-se”. É a crise.

Estive por estes dias em Madrid e pude verificar que os restaurantes, cafés, teatros e museus estavam todos lotados, com filas para entrar. O mesmo aconteceu neste feriado prolongado com o Algarve lotado, com autoestradas e hotéis lotados. Crise?

Crise? Vice-campeão espanhol gasta mais de 160 milhões de euros para ter no seu plantel dois jogadores de futebol que falam o português; Governo português dá algo em torno de 2,5 bilhões para não quebrar um banco; Nasa gasta milhões para estudar povoamento...na lua; Time do colorado em Portugal paga 700 mil para outro clube português para ter o seu treinador; Governo brasileiro vai pagar bolsa familia a...a...a...a... (recuso-me a escrever)... a ...mendigos...e assim a crise vai seguindo o seu caminho.

Parodiando “o cara do Obama”, desde que nasci - e olhe que nasci analfabeto - já ouvia falar de crise.

Crise sempre existiu e o que temos que fazer é poupar um pouco mais, criar alternativas, redimensionar nossos planos a curto e a longo prazo, redefinir objetivos, gerar novos clientes, baixar custos, criar novos produtos e, claro, trabalhar mais.

Fazer um esforço maior e nunca desistir diante da primeira corrente chumbada no chão. Temos que, pelo menos, puxá-la para cima. Se não fizermos força suficiente para fazer isto só nos restará ficar sentado atrás da porta se lamentando e entre as lamúrias concordar com a grande massa...afinal isto é a crise... Não adianta nada eu sair daqui, ninguém vai querer comprar o meu produto.
Inocule-se para não morrer da Crise A... a ...tua crise.

Como já escreveu Jack Welch... na crise bata os braços, bata os braços...

Paulo Santos
Presidente